11/04/2014  HOSPITAL VETERINÁRIO MONTENEGRO

«OTITES»


 Muitos animais sofrem de otites recorrentes e, provavelmente, muitos dos seus donos notam um aumento da sua incidência durante a Primavera. A explicação para este facto prende-se com a origem alérgica de muitas das otites diagnosticadas em veterinária e com a sua integração no quadro abrangente das atopias. A atopia é uma forma de alergia consequente da exposição a determinados factores ambientais e que resulta em sinais dermatológicos diversos, como prurido e eritema nas orelhas, axilas, patas e região inguinal. Ainda que esta condição possa afetar qualquer animal, existem raças com maior predisposição, como é o caso dos Retrievers.

Para além da atopia, algumas outras causas associadas a otites recorrentes são: as alergias alimentares (induzidas habitualmente pela fonte de proteína), os ácaros (mais frequentes em animais jovens e responsáveis por uma secreção auricular abundante), a natação (onde a humidade constante torna o canal auditivo mais sensível e predisposto à inflamação e infeção), os corpos estranhos (por exemplo: as praganas), ou a escassa ventilação da orelha resultante da antomia de cada raça (como é o caso dos Cocker Spaniel com as suas orelhas pendentes e largas, ou dos Sharpei com canais auditivos muito estreitos).
As otites podem ser assintomáticas, podem originar algum prurido, onde se observa o animal a coçar ou a abanar a cabeça, ou, em casos mais severos, podem mesmo culminar com a inclinação lateral da cabeça ou dor à palpação das orelhas. Estima-se que mais de 50% dos animais com otite crónica venha a sofrer uma rutura da membrana timpânica. A pele do canal auditivo afetado vai-se tornando progressivamente mais eritematosa ou avermelhada e o diâmetro do próprio canal tem tendência a diminuir. Na maioria dos animais é possível detetar um odor característico e a produção excessiva de cera ou secreção purulenta.

O diagnóstico e tratamento estão dependentes dos achados físicos iniciais. Pode estar indicada a realização de exames citológicos para avaliação microscópica ou para cultura; e em casos avançados e associados a dor, pode ser necessária uma anestesia geral para avaliação adequada do canal e lavagem. É fundamental avaliar a integridade da membrana timpânica uma vez que este é um fator determinante para a decisão do tratamento.

As opções terapêuticas são diversas, podendo variar desde um desparasitante externo em spot-on, a uma alteração ou prova terapêutica alimentar, gotas e soluções de limpeza auriculares, ou antibióticos e anti-inflamatórios orais.

Mantenha os controlos veterinários assíduos e acompanhe os tratamentos de forma regular; por vezes as otites aparentam uma cicatrização completa à superfície, mas o interior do canal ainda se encontra inflamado.